top of page
Runner.png
Signature_White.png

A empresa onde trabalhava achou por bem rescindir o contrato de trabalho, para me poder dedicar a tempo inteiro à ocupação de 'estudante'.

O curso não me preenchia, e um Plano Ocupacional (POC) na Biblioteca da Escola Superior de Enfermagem acabou por servir de ponte para algo maior. Sabia que o POC seria temporário e, não me sentindo realizado no curso, foquei-me na procura de um emprego 'estável'. Tinha a crença que precisava de um emprego com contrato efetivo, pois só assim poderia comprar casa e constituir família. E foi nessa busca que trabalhei nos tempos que se seguiram.

Os Desafios e as Descobertas

O ano de 2002 trouxe esperança e desilusão em igual medida. Foi contratado pela Betecna, em Rio Maior, para controlo de crédito – bom salário, excelentes condições. Tudo parecia encaminhar-se, até que o Natal trouxe uma carta registada de rescisão que abalou os meus alicerces. De casamento marcado e em processo de aquisição de casa própria, instalou-se grande apreensão. Tinha que encontrar algo urgentemente.

No turbilhão, algo parecia clarificar-se na minha mente: não fui 'feito' para gabinetes fechados nem para rotinas monótonas.

Na busca de emprego candidatei-me, através de uma empresa de recrutamento, e fui selecionado para trabalhar numa empresa de distribuição logística. Este foi o meu emprego mais curto. Assim que iniciei, informei que iria casar em breve. Fui imediatamente dispensado (f*#!-se, nem aqueci o lugar).

Mais um sinal. A empresa era distante da minha residência e, bem vistas as coisas, aceitei exclusivamente pela necessidade do dinheiro. Não era o que iria fazer-me feliz.

Sem emprego, recém-casado e com contas para pagar, surgiu a primeira grande oportunidade da minha vida.

A Revelação Comercial

A verdadeira epifania chegou quando descobri as vendas.  Sim, sei que para a maioria das pessoas isto pode parecer estranho...

Primeiro trabalhei como representante da marca de calçado "Terrapura". Tratava-se de um mercado complicado e de difícil penetração, mas posso dizer que foi uma grande escola. Certamente uma escola que estava a precisar.

Depois veio a oportunidade de trabalho numa empresa de outsourcing para seguradoras, em Lisboa.

Mais uma vez tinha caído na necessidade do dinheiro e num trabalho que nada tinha a ver comigo: algo monótono, aborrecido até...

Mas afinal,
quem sou eu?

Nasci no dia primaveril de 11 de abril de 1977, em Santarém. Filho de Fernando, funcionário público, e Ana, manicure, cresci no Bairro Social de Vale de Estacas, onde as tradições ainda pulsavam forte através da Associação Cultural e Desportiva e das suas festas anuais que uniam a comunidade.

Personal4.jpg

Os Primeiros Passos

A minha infância desenrolou-se entre os corredores da Escola do Salvador e as tardes no ATL das Portas do Sol. Era frequente encontrar-me na Biblioteca Municipal, entre páginas de livros que lia ou requisitava com curiosidade.

O karaté moldou-me a disciplina durante oito anos formativos, dos 10 aos 18, antes de transitar para o ginásio.

Após concluir o 12º ano na área Económico-Social, era altura de tomar uma decisão: em vez do ensino superior logo de imediato, decidi-me pelo mundo do trabalho.

As Primeiras Experiências

Em 1996, aos 19 anos, iniciei a minha jornada profissional numas bombas de combustível (GALP). Comecei como operador de balcão e, demonstrando outras capacidades, assumi mais tarde funções administrativas no escritório. Contudo, a ambição chamava-me para horizontes mais amplos e em 1999, com o coração cheio de esperança e a carteira quase vazia, aventurei-me em Lisboa. Fui admitido como paquete (função pomposamente designada por Empregado de Serviços Externos) no Grupo Sogefran (Il Caffe di Roma). O que começou como um emprego humilde transformou-se numa lição valiosa sobre crescimento e perseverança. Com dedicação e tempo, acompanhando o crescimento da própria empresa, evoluí até gestor de stocks, ganhando responsabilidades e experiência preciosas.

 

O Despertar Académico

A progressão na carreira exigia formação superior.

Incentivado por colegas e pela própria empresa, juntei-me aos meus amigos Carlos Mota e Sancho Mesquita (grande abraço, rapazes!) num verão intensivo de preparação. Em 2000, candidatei-me à Escola Superior de Gestão de Santarém. Após uma candidatura cheia de indecisões, entre Gestão de Empresas, Contabilidade e Informática de Gestão, acabei por ingressar na que tinha sido a terceira opção - o curso de Administração Pública e Autárquica.

Mas o destino tinha outros planos...

Cada experiência acumulada parecia encaminhar-me para o trabalho comercial, fosse de que forma fosse e, de certa maneira, ia moldando uma vocação que já habitava em mim.

O meu amigo João Neto, da Vodafone, a quem muito agradeço, foi o mentor que me guiou para a minha verdadeira vocação. O João trabalhava na Vodafone há muito tempo, desde os tempos em que a marca ainda era Telecel, e sempre me incentivou a seguir a área comercial.  Ele via algo em mim que eu não conseguia identificar.

Entrei então na empresa que iria ser a minha escola de vendas, a Vodafone.

Através de uma empresa parceira em Alcobaça e mais tarde com o Grupo Somitel na Figueira da Foz (2004-2010), encontrei a minha escola de vendas. Foram anos de aprendizagem intensa e felicidade profissional. Saí então diretamente para a Vodafone.

Provações e Crescimento

O ano de 2009 marcou-me profundamente: perdi a minha avó materna - pilar fundamental da minha vida, com quem vivi, juntamente com os meus pais e um tio até aos 8 anos,

idade em que ganhei uma outra pessoa muito importante na minha vida - o meu irmão André; o meu sogro (à data), figura crucial no seio familiar.

Estas perdas, juntamente com a memória do meu irmão Ricardo, que morreu à nascença, temperaram-me o caráter com uma resiliência especial.

Em 2010, uma mudança radical. Abracei uma oportunidade  apresentada por um amigo, que consistia na venda de equipamentos de engarrafamento por todo o país. Simultaneamente, regresso aos estudos, desta vez em Marketing Turístico na Escola Superior de Tecnologia e do Mar, em Peniche - um curso que finalmente parecia ressoar com as minhas aspirações.

O Encontro com a Paixão

Após formar-me, decido procurar uma empresa mais próxima de casa. A experiência profissional desastrosa que se seguiu (na qual assinei ingenuamente a minha carta de despedimento, juntamente com o contrato de trabalho) proporcionou-me uma lição amarga mas valiosa. Vender algo em que não se acredita é contrário à natureza do trabalho comercial.

No meu caso, nem posso afirmar que fosse bem isso. Eu vendia um serviço obrigatório por lei para que estabelecimentos comerciais pudessem estar abertos ao público. Sentia que o cliente apenas o comprava porque a isso era obrigado, e não propriamente por algum benefício que viesse a ter. Para um vendedor que gosta de o ser, como eu, esta não era uma situação que me realizasse.

O resultado foi uma relação bastante curta, mas com um propósito claro: levar-me a conhecer o meu grande amor profissional: o mercado imobiliário.

A Realização

Em meados de 2014, fluente em línguas e com boa postura comercial, fui convidado a representar uma agência imobiliária na região Oeste. Era o início de uma jornada extraordinária que perdura até hoje.

A primeira venda imobiliária - curiosamente fechada durante o programa televisivo "A Place In The Sun" - despertou em mim uma sensação única. Cada casa visitada, cada terreno com ou sem vista, das mais simples às mais sofisticadas, alimenta esta paixão.

Em dezembro de 2019, passo de freelancer a empresário,

criando a Keyon Unipessoal Lda. O nome, embora não fosse a primeira escolha, encapsula perfeitamente a missão: "Key" (chave) + "On" (ligado/colocado) - colocar o máximo de chaves em fechaduras e ajudar os clientes a conquistarem a casa dos seus sonhos.

Hoje, como proprietário da Predimed Raínha, nas Caldas da Raínha, vivo a plenitude de quem encontrou não apenas uma profissão, mas uma verdadeira vocação. Cada imóvel vendido representa não só um negócio, mas a concretização de sonhos alheios - e isso, para mim, não tem preço.

Da minha jornada (até hoje), retiro que nem sempre o caminho mais direto é o mais gratificante. Às vezes, são os desvios, os tropeços e as descobertas inesperadas que nos conduzem ao nosso verdadeiro destino, ao mesmo tempo que nos fazem crescer e aprender tudo o que precisamos para chegar a esse mesmo destino.

bottom of page